O sistema nervoso apresenta duas funções básicas, a manutenção da homeostase do organismo e a emissão de comportamentos, sendo esta última a mais complexa, na medida em que permite a adaptação dos organismos ao meio externo. Os comportamentos são resultados da interação dos fatores genéticos com o ambiente, sofrendo modificações constantes, permitindo a adaptação cada vez melhor do organismo ao meio. Essas modificações são resultado dos processos neurobiológicos que definem a aprendizagem.
Na emissão de um comportamento, podemos distinguir dois elementos: os ajustes neurovegetativos e o comportamento motor responsável por organizar as respostas pelas quais os organismos agem sobre o ambiente. Dessa maneira, definimos aprendizagem como o processo pelo qual os animais adquirem informação a respeito do meio; a memória é o processo de retenção ou armazenamento dessas informações. Este processo só faz sentido quando existe uma entidade que recebe, processa e transforma a informação, isto é, que aprende.
Deste modo a Aprendizagem Motora (AM) é definida como o conjunto de processos cognitivos associados à experiência e à prática que resulta em mudanças relativamente permanentes no comportamento motor. Assim aprender exige uma modificação estrutural interna que se observa geralmente através do desempenho numa alteração estável (persistente no tempo) do comportamento do indivíduo como resultado da prática e/ou experiência.

Relação entre aprendizagem motora e desenvolvimento motor

O desenvolvimento é o conjunto de processos de transformação dos organismos. O desenvolvimento motor consiste numa relação entre a maturação e a aprendizagem, expressa numa motricidade mais elaborada e num melhor ajustamento do comportamento às características circunstanciais do envolvimento. A aprendizagem é simultaneamente causa e efeito do processo de desenvolvimento humano ao longo da vida. A criança aprende pelo movimento, “novos mundos” que lhe vão criar novos desafios que por sua vez a estimulam a continuar a aprender. Conforme a criança cresce, vai organizando as suas capacidades motoras de acordo com a sua maturidade nervosa e com os estímulos do meio que a rodeiam. A organização motora é fundamental para o desenvolvimento das funções cognitivas, das percepções e dos esquemas sensoriomotores da criança.
A experiência motora (aprendizagem motora) propicia o amplo desenvolvimento dos diferentes componentes da motricidade, tais como a coordenação, o equilíbrio e o esquema corporal. Esse desenvolvimento é fundamental, particularmente, na infância, para o desenvolvimento das diversas habilidades motoras básicas como andar, correr, saltar, correr e lançar. No entanto, embora o desenvolvimento motor não ocorra de forma linear, é fundamental que se ofereça à criança um ambiente diversificado, de situações novas e que propicie meios diversos de resolução de problemas, uma vez que o movimento se apresenta e se aprimora por meio dessa interação, das mudanças individuais com o ambiente e a tarefa motora, ou seja através da AM.
Assim o desenvolvimento motor como campo de estudo, debruça-se sobre as modificações ou a evolução do comportamento motor ao longo da vida do indivíduo (Life Span), relacionando-o com os mecanismos neurofisiológicos e biomecânicos do controlo motor e da aprendizagem motora e integrando-as no contexto biopsicossocial de cada sujeito

Relação entre aprendizagem motora e performance motora

Aprendizagem motora são mudanças em processos internos que determinam à capacidade do individuo de produzir uma ação motora. O nível de aprendizagem motora do individuo melhora com a pratica e é, frequentemente, inferido pela observação de níveis relativamente estáveis da performance motora (PM) da pessoa. Quando uma pessoa corre, caminha, lança uma bola, toca piano, chuta uma bola ou dança, esta está a utilizar uma ou mais habilidades motoras. A aprendizagem inicial é caracterizada por tentativas do individuo de adquirir uma idéia do movimento ou entender o padrão básico de coordenação.
Aprender exige uma modificação estrutural interna que se observa geralmente através do desempenho numa alteração estável (persistente no tempo) do comportamento do indivíduo como resultado da prática e/ou experiência. A performance ou desempenho motor é um indicador objectivo que traduz o grau de integração e/ou aplicação das aprendizagens realizadas. Centra-se nos resultados – “outcomes” - e não nos processos de aprendizagem. É o indicador objectivo e indireto do grau de aprendizagem. No entanto a performance não reflecte de forma transparente as alterações estruturais correspondentes. Entre as várias causas que limitam a correspondência entre a aprendizagem e a performance estão, por exemplo, o estado emocional/afectivo do indivíduo ou factores de condição do sistema muscular, em dado momento. A principal diferença entre aprendizagem motora e performance motora é que a performance motora é sempre observável e influenciada por muitos fatores. A aprendizagem motora, em contraste, é um processo interno que reflete o nível de capacidade de desempenho do indivíduo, podendo ser avaliado por demonstrações relativamente estáveis.
O nível da AM aumenta com a prática e é inferida pela observação na PM mas só há AM quando a PM apresenta as seguintes características:
  • ·      Aperfeiçoamento (com melhorias)
  • ·      Consistência (com uniformidade nos resultados)
  • ·      Estabilidade (que se mantém num estado de equilíbrio)
  • ·      Persistente (que se mantém apesar de contrariedades ou dificuldades)
  • ·      Adaptabilidade (que se adapta às circunstâncias)

Assim se o nível de proficiência da performance do indivíduo for relativamente estável ao longo de várias observações e sob diferentes conjuntos de circunstâncias, o profissional pode assumir que o desempenho é um reflexo preciso do nível de aprendizagem motora desse indivíduo. 

Resumindo podemos definir AM, enfatizando os seguintes aspectos: a) a aprendizagem resulta da prática ou da experiência; b) a aprendizagem não é diretamente observável; c) as mudanças na aprendizagem são observadas nas mudanças na performance; d) a aprendizagem envolve um conjunto de processos no sistema nervoso central; e) a aprendizagem produz uma capacidade adquirida para a performance; f) as mudanças na aprendizagem são relativamente permanentes. A aprendizagem motora, portanto, dá-se por meio de uma combinação complexa de processos cognitivos e motores.

FACTORES DE INFLUENCIA DA APRENDIZAGEM MOTORA

O estudo da AM ajuda a estabelecer estratégias para terapeutas no desenvolvimento de ações efetivas para o aumento das habilidades motoras e da reabilitação. Este assunto é de grande importância, porque tenta compreender como as pessoas aprendem ou reaprendem habilidades motoras, como elas as desenvolvem e usam tais habilidades em várias situações. A aprendizagem envolve uma modificação no estado interno de uma pessoa, que deve ser inferida a partir da observação do comportamento ou do desempenho daquela pessoa. Para que a aprendizagem seja efetiva deve-se considerar as variáveis que interferem neste processo.
O indivíduo está constantemente a sofrer influências de suas restrições individuais (características físicas e mentais próprias), das restrições ambientais (características do ambiente físico ou sociocultural) e das restrições da tarefa (metas empreendidas). Qualquer alteração num destes fatores afetará o movimento que surge destas interações, evidenciando o processo dinâmico e sistêmico da aprendizagem motora. Assim os factores de influencia da aprendizagem motora podem ser divididos em: factores relacionados com o indivíduo (o aprendiz, Quem?), factores relacionados com a tarefa (a tarefa, O quê?) e factores relacionados com o contexto (o meio, Onde?).
Nem todos os autores têm o mesmo conceito de AM. Alguns salientam o aspecto externo da modificação do comportamento, outros a construção pessoal, experiencial; uns dão maior ênfase ao processo da aprendizagem, enquanto outros ao produto desse processo.

O Indivíduo (WHO?)

Nada se aprende, verdadeiramente, se aquilo que se pretende aprender, não passar pela experiência pessoal de quem aprende. A aprendizagem assume assim um caráter pessoal, é um processo que acontece de forma singular e individualizada, portanto é pessoal e intransferível, quer dizer a AM não pode passar de um indivíduo para outro e ninguém pode aprender se não for por si mesmo.
O indivíduo é a figura central em todas as experiências de aprendizagem, e para que o fisioterapeuta possa proporcionar experiências de aprendizagem mais eficientes, deve estar ciente de algumas características importantes do aprendiz, tais como: a idade, as capacidades, a experiência prévia, a capacidade de processamento de informação, a motivação, o estadio de aprendizagem, a atenção, a memória e o nível de excitação.

Idade

Como vimos anteriormente o processo de aquisição de habilidades emerge em função das interações entre fatores biológicos e ambientais. A infância pode ser considerada uma fase determinante desse processo, tanto pelo ritmo acelerado de alterações biológicas, como pela elevada capacidade de adequação aos estímulos ambientais. É provável que a quantidade e a qualidade dos estímulos presentes nessa fase influenciem diretamente o desenvolvimento em idades posteriores. Na adolescência, o ritmo de maturação biológica, em conjunto com as experiências anteriores, resulta numa grande variabilidade no desempenho motor. Essas alterações ocorrem devido ao amadurecimento dos diferentes sistemas, desde os primeiros anos de vida até a idade adulta, por volta dos 25 anos. Posteriormente, os mesmos sistemas começam a ter uma perda na eficiência das funções, que tem uma queda mais acentuada na terceira idade. Assim se percebe que a idade poderá ter influência na AM.

Capacidades

De um modo geral, as capacidades motoras são características individuais e inatas, que podem ser sujeitas a um desenvolvimento, e que, em conjunto, determinam a aptidão física de um indivíduo. Referem-se a um conjunto de predisposições, pressupostos ou potencialidades individuais, nas quais assentam a realização, aprendizagem e/ou desenvolvimento de habilidades motoras.
Devemos destacar que existem diferenças entre capacidade motora e habilidade motora. Capacidade refere-se às qualidades físicas de uma pessoa, um potencial, definido geneticamente, que pode ser atingido ou não. Enquanto que habilidade refere-se a uma tarefa com uma finalidade específica a ser atingida. Todos nascemos com uma determinada força, ou resistência, mas precisamos de aprender a dançar ou a jogar basquete.
As capacidades motoras podem ser divididas em:
·      Capacidades motoras condicionais, são as capacidades determinadas pelos processos energéticos e metabólicos – obtenção e transformação da energia. Por isso, são condicionadas pela energia disponível nos músculos e pelos mecanismos que lhe regulam a distribuição – carácter quantitativo. Podemos considerar a força, velocidade, resistência e flexibilidade.
·      Capacidades motoras coordenativas, são essencialmente determinadas pelos processos de organização, controlo e regulação do movimento. Estas são condicionadas pela capacidade de elaboração das informações por parte dos analisadores implicados na formação e realização do movimento – carácter qualitativo.

Experiência prévia

Uma das variáveis que interferem significativamente no processo de aprendizagem é a experiência prévia. Alguns autores afirmam que aqueles que possuem experiências anteriores em certas habilidades motoras, possuem uma vantagem na rapidez com que aprendem uma nova tarefa semelhante ou aprendem a mesma tarefa após lesão. Ou seja um indivíduo terá mais facilidade em executar uma tarefa nova se tiver experiência prévia numa tarefa similar, terá maior facilidade de transferência da aprendizagem.
Existem vários conceitos de transferência de aprendizagem:
·      a experiência anterior no desempenho de uma habilidade num novo contexto ou na aprendizagem de uma nova habilidade;
·      a influência da aprendizagem de uma habilidade motora sobre o desempenho ou aprendizagem de outra habilidade;
·      o efeito que a aprendizagem prévia de uma determinada tarefa exerce sobre a aprendizagem ou desempenho noutra tarefa num momento posterior.
Por exemplo as crianças que não passaram por experiências em tarefas motoras fundamentais durante as fases iniciais podem apresentar um repertório menor de habilidades motoras na idade adulta, causando a impressão de terem menor capacidade motora.
Deste modo à ideia de que a experiência prévia exerce um papel primordial no processo de aprendizagem de habilidades motoras torna este aspecto fundamental para o fisioterapeuta na forma como estrutura e implementa os programas de reabilitação motora.

Capacidade de processamento de informação

Para que aconteça AM é necessário que o indivíduo selecione qual a resposta adequada para determinado estímulo. A aprendizagem advém, basicamente, do processamento de informações, que pode ser entendido através dos mecanismo de percepção, de decisão e de programação.
Existem diversos modelos explicativos do processamento de informações. O modelo geral do processamento de informação (Figura 1) estabelece os seguintes componentes:
1.     Informação do ambiente (input), é o que está disponível no meio ambiente ou a informação dada;
2.     Órgãos dos sentidos, são os responsáveis em captar a informação no ambiente e transformá-la em impulsos nervosos;
3.     Mecanismos de percepção, é o mecanismo responsável em organizar os impulsos nervosos que entraram no SNC; estes mecanismos irão discriminar, identificar, classificar, descrever o meio interno e externo do executante;
4.     Mecanismo gerador de resposta (de decisão), escolhe o melhor plano motor para satisfazer o objectivo a ser executado, levando em consideração as necessidades do meio interno e externo;
5.     Resposta (output/mecanismo efetor), detalha o plano motor escolhido e transforma em programa motor (ordens neuronais para a execução motora), ou seja integra os comandos motores que produzirão o movimento.
6.     Sistema muscular, recebe e executa os comandos motores
7.     Feedback (retro-informação), é uma das formas pelas quais o executante pode ter uma resposta sobre como foi a execução de uma habilidade. Temos dois tipos de feedback:
a.     Intrínseco ou interno, informação fornecida como consequência natural do movimento (visual, proprioceptivo, táctil, vestibular, etc.)
b.     Extrínseco ou externo, informação sobre a performance ou resultados (fornecido por fontes externas ao indivíduo).




A aprendizagem pode, então ser entendida como um mecanismo intrínseco do ser humano, onde existem etapas que devem ser percorridas para que aconteça. Primeiramente, existem os estímulos do meio ambiente, que devem propiciar um campo fértil para a aprendizagem; através da captação desses estímulos o indivíduo faz contato com o exterior, ou seja, ele percebe os ‘sinais’ que são enviados pelas coisas que o cercam. O mecanismo de processamento é que promove o desmembramento e a descodificação dos estímulos anteriormente percebidos e, a partir deste, há a elaboração das possíveis respostas e a tomada de decisão. Quando este fenômeno acontece, o indivíduo está pronto para, efetivamente, responder aos estímulos; tal resposta poderá ser dada através da execução de tarefas motoras, no caso de uma situação de aprendizagem motora.
O indivíduo ao encontrar-se numa situação de aprendizagem percorre todo este trajeto para o entendimento dos novos conhecimentos; também a aprendizagem de habilidades motoras acontece observando este processamento de informações e, neste caso, o sistema muscular aparece como principal agente do mecanismo efetor.
Numa relação de aprendizagem existe um número elevado de variáveis que tem influência efetiva em todo o processo. Pode-se citar a maturação fisiológica do indivíduo, a atenção e a motivação. Sendo esta última de extrema relevância no processo de aprendizagem tanto cognitiva, quanto motora.

Motivação

A motivação participa no processo de aprendizagem motora como sendo um dos fatores que mais o influenciam. Integra o modelo de processamento de informações como um catalisador da captação dos estímulos, possibilitando uma velocidade, intensidade e permanência maiores de retenção dos conhecimentos apreendidos no processo de aprendizagem.
No processo de aprendizagem de uma habilidade motora, a questão da motivação tem uma presença de extrema relevância, na medida em que o aprendiz necessita de estímulos contínuos que facilitem a aprendizagem. De entre estes estímulos estão os motivacionais, que têm o papel de estimular e criar uma expectativa à respeito da habilidade que, por ventura, será aprendida.
A motivação é vista como o processo que leva as pessoas a uma ação ou inércia em diversas situações. Este processo pode ser ainda as causas pelas quais se escolhe fazer algo, e executar algumas tarefas com maior empenho do que outras. A motivação pode ser definida como alguma força interior, impulso ou uma intenção, que leva uma pessoa a fazer algo ou agir de certa forma. Quando os sujeitos têm metas claras e bem definidas parecem atingir um desempenho superior aos que não estão na mesma situação. Então metas específicas podem levar ao desempenho superior. Os referenciais teóricos da motivação têm-se pautado por duas bases:
·      Orientação para a Tarefa – Motivação Intrínseca. É aquela referente à escolha e à realização de determinada atividade por vontade própria, por ser interessante e atraente ou, de alguma forma, gerada de satisfação. Se há comprometimento com uma atividade é considerado ao mesmo tempo espontâneo, parte do interesse individual, isto é, a atividade é um fim em si mesmo. Desta forma, a recompensa principal é a participação na tarefa, sem necessidade de pressões externas, internas ou recompensa.
·      Orientação ao Ego – Motivação Extrínseca. Os motivos movem o ser humano pelas consequências que espera em virtude da ação executada. No caso da motivação extrínseca, esta surge pelas consequências que se espera alcançar devido às reações do ambiente. A pessoa está sempre dependendo, de certo modo, das reações dos outros e atua “interesseiramente”.
Para que o aprendiz esteja motivado, é necessário o aumento gradativo das competências que se daria através da introdução de um novo elemento (novo estímulo) a cada diferente momento da aprendizagem.
A motivação é um fenômeno intrínseco pelo qual o indivíduo escolhe uma atividade e não outra, e pelo qual realiza ações com graus variados de intensidade. Os motivos que conduzem uma pessoa podem também advir das suas necessidades básicas primárias e secundárias.
Como vimos os motivos, de onde provém a motivação, são decorrentes de fontes externas ao indivíduo e à tarefa ou derivam da estrutura psicológica e das suas necessidades pessoais. Quanto mais o fisioterapeuta conhecer o seu utente, as suas necessidades e os seus motivos, maiores serão os recursos que ele terá em favor da mediação no processo de aprendizagem.
Faz-se necessário ao longo do processo de AM, o estabelecimento de um ambiente que propicie a captação e armazenamento das informações ali obtidas, para a elaboração das respostas aos estímulos percebidos. Sendo condição ‘sine qua non’ para a ocorrência deste fenômeno a contínua estimulação da motivação.
Para que a AM aconteça de maneira equilibrada e profícua é imprescindível que o aprendiz esteja rodeado por um ambiente facilitador, que lhe permita conhecer o maior número possível de possibilidades de execução dos movimentos nas suas mais variadas formas.
A motivação apresenta uma relação de U “invertido”, ou seja, quando a motivação está muito baixa ou muito alta, a aprendizagem é dificultada.



Em resumo a motivação é o processo que mobiliza o indivíduo para a ação; compreende desejo, vontade, interesse ou pré-disposição para agir. O utente precisa de estar ou ser motivado para a terapia. As tarefas devem ter um grau adequado de complexidade. Não podem ser muito difíceis, pois o paciente não conseguirá realizá-las, gerando frustração, e não podem ser muito fáceis porque não o motivarão. Quando o paciente obtém sucesso com a tarefa, este sucesso é um modo de reter a motivação. Mas não é somente o paciente que precisa de estar motivado, a família do paciente e os profissionais da saúde também precisam desfrutar dessa mesma condição emocional.

Atenção

Para se aprender alguma coisa é preciso primeiro prestar atenção e prestar atenção significa antes de mais selecionar um ou mais estímulos de entre os muitos que nos rodeiam de modo a poderem ser processados de forma mais vasta e profunda em momentos posteriores, se tal for considerado conveniente. A cada instante o ser humano é bombardeado com inúmeras informações, quer externas provenientes do meio ambiente, quer internas provenientes do próprio organismo. O processamento de todas estas informações é manifestamente impossível, de modo que uma seleção do que é mais relevante deverá ser efectuada a cada momento. A atenção implica portanto uma seleção de estímulos entre os muitos que poderiam atrair a atenção e por outro um esforço de controlar a informação irrelevante e concorrente de forma a permitir a concentração no processamento da informação considerada útil.
No âmbito da atenção, há duas questões importantes que podem ser consideradas. Primeiro, o que leva um estímulo ou actividade a ser selecionada em detrimento de outra? Segundo, é possível realizar mais do que uma tarefa ao mesmo tempo? Há vários factores que podem atrair a atenção de uma pessoa, nomeadamente o número de estímulos, a familiaridade, similaridade, a novidade, o imprevisto e a complexidade.
O número de estímulos a que num instante se pode prestar atenção é bastante limitado, podendo aumentar ou diminuir conforme o grau de familiaridade. Assim, por exemplo, numa discussão ou debate não é possível seguir e compreender os argumentos de quatro pessoas se todas começarem a falar ao mesmo tempo. Apenas os argumentos de uma pessoa podem ser processados ou no caso do tema abordado ser bastante familiar é possível que os temas abordados por mais do que uma pessoa possam ser atendidos.
A similaridade das fontes de informação é uma dificuldade acrescida na tarefa de prestar atenção, provocando interferências mútuas e exigindo maiores recursos de processamento. Por exemplo, os estudantes são capazes de estudar um tema para exame numa sala com música instrumental de fundo, mas têm maiores dificuldades com música vocal. O tema de estudo e o tema da música interferem entre si devido à similaridade verbal, tornando mais difícil a tarefa de prestar atenção.
A novidade de um estímulo ou o seu aparecimento imprevisto são factores que levam uma pessoa a mudar de atenção, suspendendo a realização da tarefa que estava a ser efectuada. Assim quando num ambiente de uma aula um professor passa de um tom de voz monocórdico para um tom de voz subitamente mais alto, a atenção dos alunos, se nuns casos se apresenta dispersa, direciona-se naquele instante para o que o professor diz. Do mesmo modo, quando numa aula toca inesperadamente um telemóvel, a atenção dos alunos desvia-se do professor para o portador do telemóvel.
A atenção é um recurso cognitivo limitado e se uma tarefa é bastante complexa, os recursos atencionais necessários para a processar ficam mais rapidamente esgotados. A atenção é um recurso limitado, mas não é fixo. Através da prática continuada e sistemática é possível realizar uma tarefa de forma cada vez mais automática. Quando uma pessoa aprende a conduzir um automóvel, a tarefa de condução é de tal ordem complexa que torna difícil conduzir e ao mesmo tempo seguir uma conversa ou ouvir as notícias do rádio. Com a prática continuada o condutor é capaz de conduzir, ouvir as notícias e até pensar no melhor percurso alternativo para chegar ao destino.
Existe uma distinção importante entre processos automáticos e processos esforçados ou controlados. Os processos automáticos exigem a atribuição de poucos recursos de atenção e são realizados em paralelo com outros processos cognitivos ou atividades. Os processos esforçados aplicam-se a tarefas que têm de ser realizadas de forma seriada, uma de cada vez, em virtude dos recursos de atenção exigidos serem bastante elevados. Nestes casos a realização da tarefa requer um acompanhamento consciente, sob o controlo direto da atenção da pessoa. A prática torna progressivamente automático o processamento de vários estímulos e a realização de várias tarefas intermédias que inicialmente requeriam esforço e controlo da atenção.
Os limites da atenção são flexíveis em função do grau de prática atingido na realização de uma tarefa, mas não são ilimitados. Mesmo uma actividade que tenha sido objecto de uma prática intensa e continuada e cuja realização possa ser processada de forma bastante automática como conduzir um carro, e ao mesmo tempo prestar atenção e processar as notícias no rádio, manter uma conversa com a pessoa ao lado e estudar o melhor percurso para se chegar ao destino, verifica-se que estas atividades concorrentes têm de ser subitamente interrompidas se algo de inesperado acontece como a travessia súbita de um animal na via de condução. Neste caso é necessário toda a atenção para a tarefa de condução de modo a evitar o acidente, ficando suspensas todas as restantes tarefas que até aí eram processadas em paralelo e de forma quase automática.
Na maior parte dos casos, o conhecimento adquirido numa situação de aprendizagem é uma tarefa complexa implicando grande parte dos recursos atencionais disponíveis. O estudante tem de focar a atenção no que o professor diz e ao mesmo tempo tentar abstrair-se das informações circundantes produzidas pelos colegas ou por ruídos fora da sala. Na ausência de um manual escolar de apoio, o estudante tem de realizar de forma eficaz duas tarefas simultâneas: Compreender o que o professor diz e em seguida escrever o que de mais importante acabou de ouvir. Se além destas duas tarefas que realiza, o aluno tem ainda de pensar sobre o assunto de forma a pedir esclarecimentos para dúvidas que surgem, é evidente que os recursos atencionais estão a ser usados nos limites da sua capacidade cognitiva de atenção. A tarefa de prestar atenção na aula torna-se mais fácil quando o estudante está em presença de um manual que o professor acompanha e explica, evitando a tarefa de tirar notas detalhadas, podendo antes concentrar-se em sublinhar os pontos mais importantes do programa.

Ativação

O processo de aprendizagem exige um certo nível de ativação e atenção, de vigília e seleção das informações. A ativação, por meio da vigília, conecta-se com a atenção no sentido da capacidade de focalização na atividade. São elementos fundamentais de toda a AM, essenciais para manter as atividades cognitivas, inibindo o efeito de muitos neurônios que não interessam à situação. Sem uma organização cerebral integrada, intra e interneurossensorial, não é possível uma aprendizagem normal.
O conhecimento do desenvolvimento e do funcionamento do sistema nervoso central, abarcado pelas neurociências, tem sido potencializado pelos avanços tecnológicos que permitem estudar os processos neurológicos in vivo. Esse avanço tem evidenciado a interdependência funcional entre diferentes estruturas do cérebro e de outras estruturas encefálicas. Tal interdependência reflete-se na determinação recíproca entre funções psíquicas consideradas distintas, como, por exemplo, memória e afetividade.
Um exemplo desta interdependência é a relação entre o hipocampo – estrutura considerada importante para os processos de memorização de informações – e outros componentes do chamado sistema límbico – conjunto de estruturas que estão associadas às experiências afetivo-emocionais (giro do cíngulo, fórnix, amígdala...). Um funcionamento adequado do hipocampo (e, portanto, do processo de memorização de novas informações) depende de um estado ótimo de ativação do sistema límbico como um todo. Noutras palavras, quando o sistema límbico está ativo, mas não hiperativo (isso acontece quando o sujeito experimenta sentimentos e emoções intensas, como raiva, medo, ansiedade, euforia), o hipocampo tem as melhores condições de processar as informações a serem memorizadas. No caso de uma subativação do sistema límbico (estado de apatia), o hipocampo fica menos ativo e processa as informações de forma mais lenta. A hiperativação do sistema límbico, por sua vez, gera uma sobrecarga de estímulos que tende a desorganizar o fluxo de informações no hipocampo, confundindo o processo de memorização. Para a ativação também se aplica a teoria do U invertido (Figura 2).

Memória

A memória é a capacidade de conservar informações vivenciadas anteriormente, ou a capacidade de recuperar estas informações para um uso posterior. Tem grande importância para a AM sem ela não existiria antes nem depois. Não seriamos capazes de recordar os rostos das pessoas que vimos no dia anterior, então a mesma pessoa que víssemos ontem não seria igual ao da mesma se a víssemos hoje. A memória é resultado dos estadios sequenciais do processamento de informação, vistos anteriormente. Ao passo que a AM é o processo. Por outras palavras, o processo de aquisição das novas informações que vão ser retidas na memória é chamado de aprendizagem. Memória, diferentemente, é o processo de arquivamento seletivo dessas informações, pelo qual podemos evocá-las sempre que desejarmos, consciente ou inconscientemente. De certo modo, a aprendizagem pode ser vista como um conjunto de comportamentos que viabilizam os processos neurobiológicos e neuropsicológicos da memória. Como os conceitos de aprendizagem e de memória, embora diferentes, são muito próximos, é comum utilizar um termo como sinônimo do outro.

Sequência de processos ou processos sem sequência?

O primeiro dos processos mnemônicos é a aquisição, que consiste na entrada de um evento qualquer nos sistemas neurais ligados à memória (Figura 3). Por "evento" entendemos qualquer coisa memorizável: um objeto, um som, um acontecimento, um pensamento, uma emoção, uma sequência de movimentos. Conseguimos lembrar-nos dos nossos primeiros tênis, dos acordes iniciais do hino nacional, dos movimentos necessários para atacar os atacadores, de como se multiplica 24 por 13, do que sentimos durante o nosso primeiro beijo. Para o estudo da memória, todos são eventos: podem ter origem no mundo externo, conduzidos ao sistema nervoso através dos sentidos, ou então no mundo interior da pessoa, surgidos "misteriosamente" dos nossos próprios pensamentos e emoções. Durante a aquisição ocorre uma seleção: como os eventos são geralmente múltiplos e complexos, os sistemas de memória só permitem a aquisição de alguns aspectos mais relevantes para a cognição, mais marcantes para a emoção, mais focalizados pela nossa atenção, mais fortes sensorialmente, ou simplesmente priorizados por critérios desconhecidos.
Após a aquisição dos aspectos selecionados de um evento, estes são armazenados por algum tempo: às vezes por muitos anos, às vezes por não mais que alguns segundos. Esse é o processo de retenção da memória, durante o qual os aspectos selecionados de cada evento ficam de algum modo disponíveis para serem lembrados (Figura 3). Com o passar do tempo, alguns desses aspectos ou mesmo todos eles podem desaparecer da memória: é o esquecimento. Isso significa que a retenção nem sempre é permanente - aliás, na maioria das vezes, é temporária. Quando vamos ao cinema, logo ao sair somos capazes de lembrar-nos de muitas cenas e diálogos do filme (não todos...). No entanto, já no dia seguinte só nos lembramos de alguns, e após 1 ano talvez nem nos lembremos do tema do filme! O tempo de retenção, portanto, é limitado pelo esquecimento, e ambos são definidos, entre outros aspectos, pelo tipo de utilização que faremos de cada evento memorizado. Assim, não é importante guardar a fisionomia da rapariga da bilheteria do cinema, e talvez tão pouco dos personagens secundários do filme. Mas geralmente guardamos o rosto da atriz principal, seja porque é bonita, seja porque o seu papel é importante no contexto do filme.
Os psicólogos têm estudado a capacidade de retenção das pessoas, e sabem que pode variar de indivíduo para indivíduo, bem como em diferentes situações e momentos de cada um. De qualquer modo, está estabelecido que para algumas formas de memória a capacidade de retenção é finita e parece não ultrapassar um pequeno número de itens de cada vez. Para outras formas , a capacidade de retenção é praticamente infinita. Testes com voluntários normais mostraram que, se lhes apresentamos sequências de letras para memorizar, o limite médio de retenção anda à volta de sete letras. Quando lhes apresentamos sequências de palavras, só são capazes de memorizar cerca de sete. E quando são expostos a sequências de frases, o mesmo número 7 representa o limite médio para a retenção.
Os psicólogos também têm estudado os determinantes do esquecimento. Por que retemos algumas coisas e esquecemos outras? Quais os fatores que determinam um caminho ou o outro? Descobriu-se que a retenção é fortemente influenciada pela presença de elementos distratores, e que o número de distratores determinará maior ou menor retenção. Tente memorizar um número de telefone com alguém a seu lado lendo alto uma outra sequência de números... Além da interferência de distratores, também a ordem de apresentação de uma sequência de itens a serem memorizados influencia a retenção. Tendemos a reter mais facilmente os primeiros e os últimos de uma série, e esquecemos aqueles situados no meio.
O esquecimento é uma propriedade normal da memória. Provavelmente desempenha um papel muito importante como mecanismo de prevenção de sobrecarga nos sistemas cerebrais dedicados à memorização, e tem ainda a virtude de permitir a filtragem dos aspectos mais relevantes ou importantes de cada evento.
Depreende-se do que acabamos de dizer que, de entre os vários aspectos de um evento, alguns serão esquecidos imediatamente, outros serão memorizados durante um certo período, e apenas uns poucos permanecerão na memória prolongadamente. Neste último caso, diz-se que houve consolidação (Figura 3) quando o evento é memorizado durante um tempo prolongado, às vezes permanentemente. Lembramo-nos de algumas coisas durante muito tempo, embora possamos nalgum momento esquecê-las. Mas lembramo-nos de outras durante toda a vida, como o nosso próprio nome e a data do nosso aniversário.

(imagem retirada do livro Cem bilhões de neurônios? de Roberto Lent, 2010)

Finalmente, o último dos processos mnemônicos é a evocação ou lembrança, através do qual ternos acesso à informação armazenada para utilizá-la mentalmente na cognição e na emoção, por exemplo, ou para exteriorizá-la através do comportamento (Figura 3).

Tipos e subtipos de memória

A memória pode ser classificada em tipos diferentes (Tabela 1), de acordo com as suas características. Essa classificação é importante, pois os tipos de memória são operados por mecanismos e regiões cerebrais diferentes.
A memória pode ser classificada quanto ao tempo de retenção em (1) memória ultrarrápida ou imediata, cuja retenção não dura mais que alguns segundos; (2) memória de curta duração, que dura minutos ou horas e serve para proporcionar a continuidade do nosso sentido do presente, e (3) memória de longa duração, que estabelece engramas duradouros (dias, semanas e até mesmo anos).
A memória pode também ser classificada, quanto à sua natureza (Tabela 1), em: (1) memória explícita ou declarativa; (2) memória implícita ou não declarativa e (3) memória operacional ou memória de trabalho.
A memória explícita reúne tudo que só podemos evocar por meio de palavras (daí o termo "declarativa") ou outros símbolos (um desenho, por exemplo). É formada facilmente, mas pode-se perder também facilmente. Pode ser episódica, quando envolve eventos datados, isto é, relacionados ao tempo; ou semântica, quando envolve conceitos atemporais. Ao lembrarmo-nos que fomos ao teatro no domingo passado assistir à peça Romeu e Julieta, empregamos a nossa memória episódica. Mas saber que o teatro é uma forma de arte cênica e que Romeu e Julieta é uma peça do escritor inglês William Shakespeare, é um exemplo de memória semântica. A memória episódica é geralmente específica de cada indivíduo, característica da sua trajetória de vida. A memória semântica, por outro lado, é compartilhada por muitas pessoas, fazendo parte da cultura.


Tipos e subtipos
Características

Quanto ao tempo de retenção
Ultrarrápida ou imediata
Dura de !rações de segundos a alguns segundos; memória sensorial

Curta duração
Dura minutos ou horas, garante o sentido de continuidade do presente

Longa duração
Dura horas, dias ou anos, garante o registro do passado autobiográfico e dos conhecimentos do indivíduo

Quanto à natureza
Explícita ou declarativa
Pode ser descrita por meio de palavras e outros símbolos

Episódica
Tem uma referência temporal: memória de fatos sequenciados

Semântica
Envolve conceitos atemporais: memória cultural

Implícita ou não declarativa
Não precisa ser descrita por meio de palavras

De representação perceptual (priming)
Representa imagens sem significado conhecido: memória pré-consciente

De procedimentos
Hábitos, habilidades e regras

Associativa
Associa dois ou mais estímulos (condicionamento clássico), ou um estímulo a uma certa resposta (condicionamento operante)

Não associativa
Atenua uma resposta (habituação) ou aumenta-a (sensibilização) através da repetiçãodeummesma estímulo

Operacional ou memória de trabalho
Permite o raciocínio e o planejamento do comportamento


A memória implícita, por sua vez, é diferente da explícita porque não precisa de ser descrita com palavras. Além disso, requer mais tempo e treino para se formar, mas persiste mais duradouramente. Pode ser de quatro subtipos. O primeiro é a chamada memória de representação perceptual (priming), que corresponde à imagem de um evento, preliminar à compreensão do que ele significa. Um objeto, por exemplo, pode ser retido nesse tipo de memória implícita antes que saibamos o que é, para que serve etc. Outro subtipo de memória implícita é a memória de procedimentos: trata-se, aqui, dos hábitos e habilidades e das regras em geral. Sabemos os movimentos necessários para conduzir um carro, sem que seja preciso descrevê-los verbalmente.
Sabemos também que numa frase em português o sujeito geralmente vem antes do verbo, e elaboramos as frases de acordo com essa regra previamente memorizada, sem nos dar conta disso. Finalmente, dois subtipos muito importantes de memória implícita são conhecidos como associativa e não associativa. Ambas se relacionam fortemente a algum tipo de resposta ou comportamento. Empregamos a memória associativa, por exemplo, quando começamos a salivar bem antes que a comida chegue à nossa boca, por termos em algum momento da vida associado o seu cheiro ou aspecto à alimentação. Por outro lado, empregamos a memória não-associativa quando sem sentir aprendemos que um estímulo repetitivo que não traz consequências é provavelmente inócuo, o que nos faz "relaxar" e ignorá-lo.
O terceiro tipo é a memória operacional, através da qual armazenamos temporariamente informações que serão úteis apenas para o raciocínio imediato e a resolução de problemas, ou para a elaboração de comportamentos, podendo ser descartadas (esquecidas) logo a seguir. Guardamos na nossa memória operacional, por exemplo, o local onde estacionamos o automóvel quando vamos fazer compras, uma informação que nos servirá apenas até o momento de voltar ao carro para ir embora. Depois disso, essa informação será provavelmente esquecida de forma definitiva.

Estadios de aprendizagem

A AM mesmo sendo um processo que, no eixo temporal da vida, ocorre numa escala de curto prazo em função da prática, pode ser dividida em fases. Fitts & Posner (1967), propuseram um modelo clássico de estadios da aprendizagem dividido em: cognitivo, associativo e autónomo (Figura 4).
O estadio cognitivo é o inicial, onde se apresenta a habilidade ao indivíduo e as suas características são: a ocorrência de um grande número de erros e muita variabilidade no desempenho da atividade. A atividade cognitiva é muito grande, causando uma sobrecarga nos mecanismos de atenção. Muitas vezes a pessoa é capaz de perceber que está a fazer algo de errado, mas ainda não sabe como corrigir. Os ganhos em proficiência são muito grandes neste estadio. Neste estadio o aprendiz concentra-se nos problemas de natureza cognitiva, onde procura visualizar e processar as informações relevantes para o reconhecimento dos objetivos e dos aspectos necessários para a execução da tarefa.
Após certo período de prática, o indivíduo passa para o estadio associativo, onde já é capaz de realizar a atividade com mais facilidade, diminuindo a quantidade de erros e a variabilidade entre as tentativas. A carga cognitiva para o desempenho é moderada e a eficiência do movimento é melhorada. Neste estadio o aprendiz muda a sua ênfase dos problemas cognitivos e estratégicos para uma fase de organização mais efetiva e padronizada de movimentos para a execução da tarefa, procurando associar os movimentos com certas respostas do meio ambiente. Esse estadio é também chamado de estadio de refinamento, onde a variabilidade do desempenho começa a diminuir e os erros são menos grosseiros. Tem uma duração maior do que o primeiro, podendo durar até vários meses.
Por fim, após praticar a atividade extensivamente o indivíduo pode chegar ao estadio autónomo. Neste estadio o indivíduo é capaz de realizar as atividades automaticamente, com pequena variabilidade e com pouca carga nos mecanismos cognitivos. Nesta fase as melhorias de desempenho são mais difíceis de se detectar, pois os indivíduos estão próximos dos limites de suas capacidades e há pouca variabilidade entre tentativas subsequentes. Para chegar até esse estadio podem ser necessários vários anos de prática, sendo que muitos indivíduos, mesmo com muita prática podem até não chegar até esse estádio, tudo depende da tarefa a aprender.


Os estadios de aprendizagem e a atenção

De entre as diversas características de cada estadio de aprendizagem, uma importante mudança decorrente da prática ocorre nos processos da atenção. No estadio cognitivo o indivíduo está a tentar compreender os objetivos da tarefa, o que sobrecarrega os mecanismos da atenção, proporcionando uma “performance” inconsistente. Após um certo período de prática, ele passará para o estadio associativo, no qual consegue manter uma “performance” mais estável, sendo capaz inclusive de detectar alguns erros. As necessidades de atenção neste estadio decrescem significativamente. Depois de muita prática, ele será capaz de atingir o terceiro e último estágio (autónomo), no qual a habilidade está bem desenvolvida, permitindo que o indivíduo a realize com consistência e “quase sem pensar”. As exigências nos processos da atenção são mínimos, permitindo que direcione o foco da atenção para outros aspectos importantes da “performance”.

A Tarefa (WHAT?)

No nosso dia a dia executamos uma infinidade de tarefas funcionais que exigem movimentos. A tarefa que vai ser executada determina o tipo de movimento a ser realizado. Portanto a compreensão do controlo do movimento exige o conhecimento de como as tarefas regulam e restringem o movimento.
A AM é um campo de estudo, cujo tema principal é o entendimento dos processos pelos quais as habilidades motoras são aprendidas e realizadas. Para entender os processos, é necessário entender melhor as habilidades motoras.
Habilidade motora é uma tarefa executável com determinadas porções de movimento e de cognição, para atingir uma finalidade específica. As habilidades motoras, também chamadas de actos ou tarefas motores/as, requerem movimento e devem ser aprendidos a fim de serem executados, ex.: lançar uma bola, tocar piano, nadar, soldar, chutar.
Quando praticamos uma acção, como por exemplo, tocar piano, utilizamos uma ou mais habilidades, chamadas de habilidades motoras. Dentro dessas, existem classificações estabelecidas em categorias amplas. As vantagens de se classificar as habilidades é que podemos estabelecer princípios sobre como realizar e aprender, da melhor forma, as habilidades motoras e assim planear de uma forma mais adequada a nossa intervenção. Para tal, as habilidades motoras podem ser agrupadas de forma a facilitar um melhor entendimento e organização do Fisioterapeuta.
A natureza da tarefa que está a ser executada determina, em parte, o tipo de movimento necessário. Portanto, a compreensão da AM exige o conhecimento de como as tarefas regulam, ou restringem, o movimento. O conceito de agrupar tarefas não é novo para os terapeutas. Dentro do ambiente clínico, as tarefas são rotineiramente agrupadas em categorias tais como: mobilidade na cama, transferência e AVD. No entanto, a classificação das tarefas motoras dentro de uma condição clínica é geralmente baseada numa categoria funcional de tarefas, e não nas características inerentes ou nos atributos da tarefa propriamente dita.
A classificação das tarefas deve ser baseada na compreensão dos atributos que lhe são essenciais, que governam especificamente ou regulam o controlo do movimento. Por exemplo, uma base de suporte imóvel é atributo para ficar de pé; por outro lado, uma base de suporte móvel é um atributo para a marcha e a corrida. Muitas características podem ser consideradas, porque representam variáveis contínuas como velocidade ou precisão, assim como outras.
As habilidades motoras podem também ser utilizadas como parâmetros de desempenho, ou seja, como expressão qualitativa de desempenho ou grau de competência do executante. Podem ser vistas com um indicador de produtividade, caracterizando o executante. A habilidade é julgada pela produtividade no desempenho, temos como exemplo um jogador habilidoso de basquete nos lances livres encesta 80% dos lançamentos tentados.
Há uma variedade de esquemas para se classificar as habilidades motoras. Tradicionalmente, a maioria tem sido unidimensional e responde apenas a um aspecto de uma habilidade. Os esquemas bidimensionais são mais completos e permitem-nos observar uma habilidade sob dois aspectos ao mesmo tempo.
Esta sebenta proporciona uma visão geral de cinco esquemas classificadores unidimensionais seguidos por um esquema bidimensional.

Esquemas de classificação unidimensional

Cinco formas de classificar as habilidades motoras, tendo em conta uma única dimensão, ganharam popularidade ao longo dos anos, a saber: (1) os aspectos musculares, (2) os aspectos temporais, (3) os aspectos do meio ambiente, (4) os aspectos intencionais e (5) os aspectos sobre a informação de retorno/feedback (Tabela 2).

Aspectos musculares

As habilidades motoras podem ser classificadas em relação aos grupos musculares envolvidos em habilidades globais/grosseiras ou finas. As habilidades grosseira envolvem grandes grupos musculares, como por exemplo, sentar-levantar, rolar. As habilidades motoras finas requerem a capacidade de controlar pequenos grupos musculares, havendo um alto grau de precisão do movimento, como por exemplo, passar a linha na agulha e escrever.

Aspectos temporais

Com base nos seus aspectos temporais, as habilidades também podem ser classificadas como discretas, em série (seriadas) ou contínuas
As habilidades dizem-se discretas quando os pontos de início e fim da habilidade são identificáveis, ou seja quando a sua execução tem um início e um término bem definidos. Por exemplo, o sentar numa cadeira. Denominam-se contínuas quando os pontos de início e fim são indefinidos. O executante ou alguma força externa determina o começo ou fim da habilidade. Uma habilidade contínua é facilmente identificável, pois repete-se na organização dos movimentos, como correr, nadar e remar. Estamos perante habilidades seriadas quando existe uma combinação de habilidades discretas em série. As habilidades são classificadas como seriadas quando, apesar da execução definível, se compõem de diversas ações agrupadas, tal como levantar e alcançar um objecto.

Aspectos relacionados ao meio ambiente

As habilidades podem ser classificadas em abertas ou fechadas se tivermos em conta os aspectos relacionados ao meio ambiente. Diz-se habilidade aberta quando a habilidade for realizada num ambiente imprevisível, em mudança contínua. Por outro lado, o seu início não depende do executante. Marcar um avançado, no futebol, requer que o defesa reaja à estímulos que são gerados externamente (pelo atacante). Dizemos que é fechada quando o ambiente for estável e previsível. Uma habilidade é classificada como fechada quando a sua execução é definida principalmente pelo executante, quanto ao início e fim. Habilidade fechada é aquela em que o ambiente influencia muito pouco a sua execução, como colocar a chave numa fechadura.

Aspectos intencionais

As habilidades motoras também podem ser classificadas com base na intenção. Embora todas as tarefas motoras envolvam um elemento de equilíbrio, as tarefas que exijam a manutenção de uma orientação corporal estável são denominados de tarefas de estabilidade. As tarefas de estabilidade, sentar, ficar em pé, são executadas sobre uma base imóvel. Por outro lado as tarefas de mobilidadeou de locomoção, tais como caminhar, correr, têm uma base móvel de apoio. Nestas habilidades o objetivo é transportar o corpo de um ponto para outro. Aquelas que envolvem aplicar força num objeto ou receber força do mesmo constituem tarefas de manipulação de objeto. Temos como exemplo agarrar, lançar ou manusear um objecto. A quantidade de manipulação pode ser simples ou complexa, dependendo da acuidade (intensidade) significativa. A quantidade de manipulação da extremidade superior envolvida na tarefa pode variar desde a inexistente a uma manipulação relativamente simples, que não tem um componente de precisão significativo, até tarefas mais complexas que podem exigir velocidade e precisão. Estas atividades aumentam a exigência sobre o sistema postural, uma vez que a estabilização do corpo é fundamental para o desempenho das tarefas.

Aspectos relacionados com o feedback

Esta classificação é baseada em como e quando o retorno da informação (feedback) pode ser usado pelo executante. Feedback é uma das formas pelas quais o executante pode ter uma resposta sobre como decorreu à execução de uma habilidade. Há diversas formas de feedback (visual, verbal, cinestésico) e elas devem ser aproveitadas pelo executante para melhorar a performance durante a execução ou após a execução.
As habilidades em circuito aberto (Figura 5) ocorrem quando o executante envolvem comandos pré- estruturados para a realização do movimento, sem o envolvimento de feedback, sendo utilizado para a realização de movimentos rápidos e discretos. Já o sistema de controle de circuito fechado (Figura 6) envolve a utilização do feedback, sendo possível a deteção e correção de erros durante o movimento. Este tipo de sistema é utilizado para controlar movimentos lentos e intencionais.
É de salientar que o sistema motor humano é um sistema híbrido que funciona quer em sistema aberto quer em sistema fechado.

Esquemas de classificação bidimensional e multidimensional

Os modelos bidimensionais diferem dos unidimensionais pela sua abrangência, pois demonstram de forma mais real as situações motoras, cruzando dois tipos de habilidades motoras. Existem ainda os esquemas multidimensionais, que possuem uma capacidade de visualização das habilidades de movimento em três ou mais dimensões.

Aspectos Musculares (tamanho/extensão do movimento)
Aspectos temporais (série de tempo no qual o movimento ocorre)
Aspectos relacionados ao meio ambiente (contexto no qual o movimento ocorre)
Aspectos intencionais (objetivo do movimento).
Aspectos sobre o feedback (circuito aberto e circuito fechado)
Habilidades de Coordenação Motora Grossa (grosseiras):
Utilizam grandes grupos musculares para realizar uma tarefa (correr, saltar, lançar)
Habilidades Motoras Discretas:
Apresentam início e fim bem definidos (lançar uma bola, levantar-se de uma cadeira)
Habilidades Motoras Abertas:
Ocorrem num ambiente imprevisível e constantemente mutável (agarrar uma bola no ar, a maioria dos jogos de computador, treino numa sala barulhenta)
Habilidades de Estabilidade:
Ênfase em ganhar ou manter o equilíbrio tanto em situações de movimento estático quanto dinâmico (sentar, ficar de pé, equilibrar-se sobre um pé, andar sobre uma barra estreita)
Habilidades em circuito aberto:
Sem informação de retorno durante a execução da tarefa
Habilidades Motoras em série (seriadas):
Série de habilidades discretas realizadas em sucessão rápida (driblar uma bola de basquete, abrir uma porta, retirar uma garrafa do frigorífico)
Habilidades Locomotoras:
Transportar o corpo de um ponto a outro no espaço (gatinhar, correr, andar)
Habilidades de Coordenação Motora Fina:
Utilizam pequenos grupos musculares para realizar uma tarefa de movimento com precisão (escrever, digitar, tricotar, pintar)
Habilidades Motoras Contínuas:
Realizadas repetidamente durante um tempo arbitrário (pedalar, nadar, andar)
Habilidades Motoras Fechadas:
Ocorrem num meio ambiente estável e imutável (swing do golf)
Habilidades Manipulativas:
Colocar força sobre um objeto ou receber força de um objeto (escrever, tricotar, apanhar um objecto)
Habilidades em circuito Fechado:
Com informação de retorno durante a execução da tarefa




Categorização de Gentile

Na categorização bidimensional de Gentile (Tabela 3) consideram-se duas características gerais para todas as habilidades, sendo a primeira o contexto ambiental no qual a pessoa realiza a tarefa e a segunda a função da ação que caracteriza a habilidade. No contexto ambiental existem duas categorias - condições reguladoras (estacionárias ou em movimento) e variabilidade intertentativas (sim e não). Já no contexto da função da ação identificam-se duas categorias – transporte corporal (sim e não) e manipulação do objeto (sim e não), resultando numa taxonomia de dezasseis categorias de habilidades.

Categorizações multidimensionais

As categorizações ou esquemas multidimensionais permitem a visualização do movimento em três ou mais dimensões. Neste caso uma habilidade de movimento pode ser observada sob o seu aspecto muscular (grosso/fino), temporal (discreto, em série ou contínuo), do ambiente (aberto e fechado), funcional (estabilidade, de locomoção ou manipulação) e relacionado com as fases de aprendizagem (cognitivo, associativo e autónomo).
De acordo com uma análise de três ou mais dimensões de habilidades motoras é possível agrupar tipos de movimentos e categorizá-los de forma a que seja possível hierarquizar as limitações motoras apresentadas pelos nosso utentes.

Função da ação





Contexto ambiental
Transporte do corpo: Não

Manipulação de objetos: Não
Transporte do corpo: Não

Manipulação de objetos: Sim
Transporte do corpo: Sim

Manipulação de objetos: Não
Transporte do corpo: Sim

Manipulação de objetos: Sim
Condições reguladoras: Estacionárias

Variabilidade intertentativa: Não
1
2
3
4
Condições reguladoras: Estacionárias

Variabilidade intertentativa: Sim
5
6
7
8
Condições reguladoras: Em movimento

Variabilidade intertentativa: Não
9
10
11
12
Condições reguladoras: Em movimento

Variabilidade intertentativa: Sim
13
14
15
16

Relação velocidade-precisão

Um princípio muito bem conhecido e fundamental do controlo motor é a relação inversa entre velocidade e precisão durante a execução de um movimento. Esse princípio foi descrito por Paul Fitts através de uma equação matemática e foi verificado que o aumento da exigência de precisão leva o indivíduo a processar mais feedback para correções e, com isso, a aumentar o tempo de movimento (TM). A lei de Fitts foi testada para o controle do movimento com a mão preferencial e não-preferencial, mostrando que o aumento do índice de dificuldade acarreta um tempo de movimento mais longo e isso é mais acentuado na mão não-preferencial.
A explicação que tem sido dada para a Lei de Fitts é que o aumento do índice de dificuldade, particularmente pela diminuição da largura do alvo, gera uma maior exigência de processamento de feedback em função da maior restrição espacial colocada pela tarefa, fazendo com que o tempo de movimento seja aumentado como consequência do maior número de ajustes necessários para obtenção de sucesso.
Em condições de menor precisão, caracterizadas por alvos relativamente grandes, os movimentos podem ser feitos mais rapidamente sem prejuízo para o desempenho. Para alvos pequenos, a velocidade de movimento deve ser reduzida a fim de se maximizar a precisão da resposta e atingir o alvo espacial desejado.

Objecto a manusear

Existe uma inteligência corporal nos seres humanos que abrange o controle dos movimentos do corpo e a capacidade de manusear objetos com habilidade. Com fins funcionais ou expressivos, à habilidade do uso do corpo existe integrada a habilidade de manipulação de objetos.
O conhecimento de alguém sobre seu próprio corpo é uma necessidade absoluta. Deve haver sempre o conhecimento de que se está agindo com o próprio corpo, que tem que se começar o movimento com o corpo, que tem que se usar determinada parte do corpo. Este plano também deve incluir o objetivo de cada ação, pois há sempre um objeto em direção a qual a ação é dirigida. Tal objetivo pode ser o próprio corpo, ou um objeto do mundo externo.
Para efetuar uma ação, deve-se saber alguma coisa sobre a qualidade do objeto com o qual se intenciona agir. Apesar de não muito clara, isto pressupõe a imagem do membro ou do corpo com a qual se realiza o movimento. O conhecimento meramente intelectual é insuficiente. Tanto a percepção visual quanto a imagem visual seriam necessária para o início de um movimento, contudo, mesmo com pessoas sem imagens visuais, em um sentido restrito, são ainda capazes de realizar um movimento com os olhos fechados.
As propriedades do objeto, classificadas de acordo com suas características visuais, podem ser divididas em: i) propriedades intrínsecas, referentes aos seus atributos físicos, como tamanho, forma, textura e peso; e ii) propriedades extrínsecas, referentes às condições presentes na relação objeto-sujeito, tais como a distância, a localização e a orientação As propriedades intrínsecas podem afetar a orientação da mão e a abertura dos dedos (ajustes distais) frente ao objeto, enquanto as propriedades extrínsecas podem influenciar a trajetória de braço e mão (ajustes proximais) em direção ao objeto.
Mais especificamente para o alcance manual, se o objeto está localizado a uma distância adequada em relação ao comprimento do braço, ele pode ser percebido como alcançável; se o tamanho do objeto é adequado ao tamanho da mão, ele pode ser considerado como pegável; e se o objeto apresenta dimensões relativamente maiores do que a mão, ele pode ser percebido como carregável.

O contexto (WHERE?)

Desde os primeiros momentos de vida o ser humano interage com o ambiente através do movimento. Do movimento depende a sua sobrevivência. Dos padrões reflexos aos movimentos altamente especializados, da concepção até a morte, o indivíduo manifesta-se através de sua motricidade.
A evolução biológica e a exploração do meio/contexto permitem que o indivíduo desenvolva, ao longo do seu desenvolvimento, habilidades motoras progressivamente mais complexas. Esta interação proporciona um ciclo de experiência-aprendizagem nos diversos aspectos do desenvolvimento humano. O resultado deste processo pode ser positivo ou negativo, de acordo com a qualidade dos estímulos ou das práticas proporcionadas ao indivíduo.
As tarefas são executadas numa ampla variedade de ambientes. Assim além da tarefa, o movimento também é restringido pelas características do ambiente. Os atributos do ambiente que afectam o movimento foram divididos em modeladores e não-modeladores. As características modeladoras ou reguladoras especificam aspectos do ambiente que condicionam o movimento propriamente dito, devem obedecer ao ambiente, para cumprir o objectivo estipulado. Por exemplo, o tamanho, o formato e o peso de uma copo que é agarrado ou o tipo de superfície sobre o qual caminhamos. As características não-modeladoras podem afectar o desempenho, mas o movimento não tem que lhes obedecer. Por exemplo, ruídos de fundo ou distracções.


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